Sejam Benvindos ao Blog Estudos Diplomáticos !

Este espaço foi criado para reunir conhecimentos acadêmicos e informações relacionadas ao Concurso para ingresso no Instituto Rio Branco.



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nosso e-mail



Olá, Companheiros de caminhada. Lembro a todos o e-mail para contato direto com o editor deste Blog. estudosdiplomaticos@gmail.com
Dentro do possível, atenderemos as demandas. Um grande abraço a todos, e permaneçamos na luta!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um abraço a todos os seguidores!




Neste dia de Feriado Nacional, aproveito para dar as Boas Vindas aos novos seguidores do Blog Estudos Diplomáticos, cumprimentando também aos que nos acompanham há mais tempo. Este Blog foi uma idéia surgida meio ao acaso, mas que têm me ajudado a prosseguir nesta difícil caminhada, que é de todos nós, rumo aos Quadros do Corpo Diplomático. Aproveito ainda para convidar a todos a refletir sobre o futuro do Brasil. O que nós representamos e poderemos representar ainda mais para o Mundo. Somos um País de miscigenados. Acho isso ótimo! Muito auxilia o Brasil em sua inserção internacional. Mantenho um elevado amor pelo meu País e sou otimista ( apesar de alguns tristes fatos do presente tentarem me desdizer ) quanto ao nosso Futuro, que começa hoje e a cada dia. O Bem, o Trabalho e a Justiça terão cedo ou tarde, que prevalecer. Não falarei das nossas tão conhecidas riquezas naturais, nem mesmo da capacidade de superação de nosso povo, que reúne as melhores qualidades de todas as etnias. Mas olhemos para o Céu. Que outro País pode ostentar no seu firmamento,com tanta beleza o Cruzeiro, como homenagem àquele que nos ensinou o caminho das verdades eternas? Um grande abraço a todos. Antonio.

domingo, 6 de setembro de 2009

Roteiro de Estudos para Português



Roteiro de Estudos para Português ( Contendo ainda observações sobre Inglês, Francês e Espanhol)


O Idioma Pátrio...O Exame desta disciplina é considerado por muitos como o mais difícil. A Banca preza pela escrita certinha, meio quadrada, formal, em suma a linguagem normatizada e culta. Teria como ser diferente? Então não vamos discutir com a Soberana Banca, e tratemos de por mãos à obra, melhor dizendo, às Gramáticas, aos Dicionários, sem esquecer a Bibliografia Obrigatória.
Sempre é bom lembrar que estas sugestões estão direcionadas para aqueles candidatos que estão fora das salas dos cursinhos por: distância dos Centros onde a preparação é oferecida; por falta de recursos para freqüentar os cursinhos; ou ainda por se recusar a freqüentar, pagando a peso de ouro, aulinhas “Tabajara” onde sabemos que “nenhum dos seus problemas serão resolvidos!”.
Face à minha “exposição de motivos”, tenham ainda, peço, paciência, pois sou apenas um Professorzinho de História tentando apresentar dicas e sugestões que estou sinceramente tentando seguir. Críticas dos Professores de Letras, ou mesmo daqueles que se sentem mais à vontade com “a última flor do Lácio, inculta e bela”, serão sempre bem recebidos.
Talvez seja interessante começar pela Bibliografia Obrigatória. (Repararam que o restante das obras do Programa são colocadas como “Bibliografia sugerida”?)

A Bibliografia obrigatória referente a 2009 foi realmente muito boa. Machado de Assis, Gilberto Freyre, Celso Furtado, Sérgio Buarque de Holanda e Joaquim Nabuco. Podemos desconsiderar o estudo de tais obras? Não! E reparem que à exceção de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, as obras pedidas dos autores acima figuram em outros pontos do Programa, e no caso específico de Formação Econômica do Brasil, encontra-se sugestão de leitura para História do Brasil e Noções de Economia. Então, vale caprichar na leitura. (Lembro a todos que disponibilizei minha síntese sobre a Economia Brasileira no Século XIX, após leitura dessa obra...).

Podemos então tratar daquilo que viemos tentando aprender desde as primeiras séries colegiais. Tenhamos em mão uma boa Gramática, e dentro do possível, das respostas dos exercícios nela propostos. Então sugiro esquecer a Gramática do Celso Cunha & L.F. Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo)
Claro, se você já estiver acostumado com ela, e melhor, colhendo dela bons resultados, continue. Se não, sugiro a Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante. Editora Scipione. Esta gramática deve andar lá pela 20ª edição. Conversando na livraria, você poderá conseguir o Caderno de Respostas, material que considero imprescindível, pois lhe dará a segurança de prosseguir no aprendizado dos pontos subseqüentes.
Outra boa dica, seria a Gramática Ilustrada de Hildebrando A. de André. De uso consagrado. Desconheço algum caderno de respostas semelhante ao da Gramática Contemporânea, mas existe o livro do professor, que se costuma conseguir com professores amigos.
E já que a CESPE costuma anular uma questão certa para cada questão considerada errada, compensa fazer muitos exercícios. A boa dica será Português 1200 testes de vestibulares resolvidos, de Hildebrando A. de André. Em mais de 200 páginas, você encontrará exercícios propostos sistematicamente coerentes com o programa da Gramática do mesmo autor. E tudo com respostas ao final do livro. Se não me engano, paguei pela Gramática usada, cerca de R$10,00, e pelo livro de testes, R$5,00. Ambos adquiridos na Estante Virtual.
Ainda uma boa opção de livro de exercícios é Português: Dúvidas, Textos e 1800 Questões, de Jorge Vicente (Editora Impetus). Os livros dessa Editora não costumam ser baratos – mas afinal que Editora no Brasil produz livros baratos? – porém o autor, Prof Jorge Vicente, que tive a honra e satisfação de ter como meu Professor há muitos anos em Niterói, é bastante metódico. E como todo bom livro voltado para concursos, este possui respostas nas páginas finais.
Teremos que escrever, e muito bem. Ortografia, Pontuação e Crase, de Adriano da Gama Kury, obra sugerida no programa do CAD, é uma boa opção de reforço naquilo que se propõe. Teoria, para recordar, e muitos exercícios, com respostas.
Quanto aos Dicionários, sem restrições. Tanto o Aurélio, quanto o Houaiss indicados no Guia de Estudos (disponível no site da CESPE, indicado abaixo), serão boas opções.
Chegamos à parte voltada à Lingüística e Interpretação de Textos.
Três referências parecem se impor. Comunicação em Prosa Moderna, de Othon M. Garcia; Usos da Linguagem, de Francis Vanoye e Pensar com conceitos, de John Wilson. Fáceis de conseguir na Estante Virtual, e em Bibliotecas Universitárias são presenças garantidas nos acervos. Escolha o que lhe servirá melhor. Ou fique com todos.
Temos ainda como boa indicação o livro de Renato Aquino, Interpretação de Textos, editado pela Campus, na série Provas e Concursos. Apresenta teoria e 800 questões comentadas.
Finalmente a indicação de algo que sairá inteiramente “de grátis”, mas que não é de forma nenhuma “Tabajara”. Entre na página da FUNAG e baixe o Manual do Candidato “Português”, de autoria de Francisco Platão Savioli e José Luiz Fiorin, no seguinte endereço: http://www.funag.gov.br/biblioteca-digital/manuais-do-candidato

**Observações sobre Inglês, Francês e Espanhol**

Sem formular um roteiro de estudos para Inglês, Francês e Espanhol, me arrisco a tecer alguns comentários a respeito dessas disciplinas. Conhecer esses idiomas não garantirá, como alguns candidatos que travei contato pensam, a aprovação neste Concurso. O concurso não quer selecionar “Tradutores/Intérpretes”. Há de ser tecnicamente bom em idiomas, sem descurar de Noções de Economia, História do Brasil, Política Internacional, Noções de Direito e Direito Público Internacional e Geografia, além é claro da “pedreira” da Língua Portuguesa.
Penso que o estudo desses idiomas terá de ser feito necessariamente, acompanhado de um professor com formação específica, se possível inicialmente em curso regular. Uma parcela dos cursos de línguas estrangeiras tem condições de oferecer boa preparação. Mas aí vai uma primeira dica: se você não estuda idiomas há muito tempo, comece recordando algo através da coleção “Passo a Passo”, cujo autor é Charles Berlitz. Ajudará bastante a possuir uma visão geral, da estrutura do idioma. Ficará mais fácil acompanhar uma turma. Após alguma frequência em turmas normais, talvez seja melhor conversar e procurar preparação mais específica. A leitura de periódicos em Inglês, Francês ou Espanhol certamente vai auxiliar muito. E a leitura simultânea de obras indicadas para o CAD nas outras disciplinas, e que possuem boa tradução para o Português sempre será uma boa opção de treino. Sem muita neurose.
Um ponto bastante positivo a ressaltar nesse concurso, é que há muitas provas do CESPE, em que estas disciplinas foram exigidas, disponíveis no site http://www.cespe.unb.br
E sempre será válido recordar um dos ensinamentos do “Papa” dos Concursos, Willian Douglas, o qual defende que aquele que faz provas anteriores adquire a “experiência dos veteranos”.

sábado, 5 de setembro de 2009

Algumas palavras sobre as Revoluções Burguesas


O estudo das diversas Revoluções - Americana, Francesa, Mexicana, Russa e Chinesa deve encontrar-se em nossos roteiros de estudo para a História Mundial Contemporânea. São assuntos cuja persistência nos últimos concursos demonstram o seu peso. Desconhecê-los é "morte certa"...
Há algum tempo, elaborei para alunos de um Curso de História Moderna este paper. Talvez seja útil antes de iniciar o estudo factual dessas Revoluções. É interessante ressaltar que mesmo as revoluções nas quais o processo revolucionário foi radicalizado e aprofundado, levando sociedades à via comunista (nomeadamente a Russa e a Chinesa), conheceram suas fases burguesas. Espero que ajude. Um grande abraço a todos. Antonio.
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A Revolução Francesa, uma Revolução Burguesa.
Antonio Carlos Figueiredo

O que são as revoluções burguesas?

Em termos esquemáticos podemos dizer que revoluções burguesas seriam eventos históricos nos quais a burguesia se constituiu, senão como a protagonista, pelo menos como a beneficiária do processo que abriu caminho ao capitalismo, transformando, no Ocidente, a sociedade de aristocrática e feudal em burguesa e capitalista.
Mas um fator que chama atenção quando se analisa o processo revolucionário de uma revolução dita burguesa, é o comportamento “pouco revolucionário” da burguesia, antes e durante esse processo. Ao contrário do que seria lógico supor, nos momentos cruciais dos processos revolucionários, não foi a burguesia que conduziu tais processos à vitória. Se tomarmos como base a Revolução Inglesa do Século XVII, encontramos a alta burguesia aliada com a pequena nobreza, contra o rei, mas não desejando, e isto valia principalmente para os grandes chefes presbiterianos, uma vitória absoluta, no que pretendiam manter a monarquia como uma forma de controle sobre as demandas do povo; povo do qual a burguesia precisava e ao mesmo tempo temia. O “novo exército modelo”, com sua carreira aberta ao talento iria conquistar a vitória militar contra as forças realistas, não obstante trouxesse com suas demandas, que eram as demandas de camponeses e artesãos, a conjuntura de uma revolução social, quando os levellers londrinos entrassem em contato com a agitação do Exército.
Numa perspectiva teórica, toda classe revolucionária é revolucionária por ser capaz de elaborar e por em prática um projeto social novo, trazendo em seu bojo a possibilidade de realização de uma nova sociedade. No caso da burguesia, o liberalismo, produzido pelos filósofos iluministas seria o projeto, e a instauração da sociedade burguesa e capitalista, a realização. Mas o fato de uma classe revolucionária trazer em si a possibilidade de realizar uma nova sociedade não implica que esta realização esteja automática e inevitavelmente garantida. Para que uma revolução venha a ocorrer, é necessário que se crie todo um conjunto de circunstâncias excepcionais, ou seja, uma situação de crise revolucionária.

O que seria uma crise revolucionária ?

Tanto historiadores, quanto cientistas sociais reconhecem que para a existência de uma situação de crise revolucionária tem de haver uma falta de harmonia entre o sistema social e o sistema político, situação à qual Chalmers Johnson chamou de disfunção, palavra derivada do modelo de equilíbrio estrutural –funcionalista dos sociólogos. A disfunção seria o resultado de algum processo novo e em desenvolvimento, em consequência do qual determinados subsistemas sociais se encontram numa condição de privação relativa. Assim, um rápido crescimento econômico, uma conquista imperial, novas crenças metafísicas e mudanças tecnológicas importantes seriam, nessa ordem, os quatro fatores que interviriam com mais frequência. Se a disfunção for um processo lento ou suficientemente moderado, é possível que não atinja níveis perigosos.
O segundo elemento vital na criação de uma situação de crise revolucionária é determinado pela posição e atitude defensiva da elite. Se a elite não se adapta à nova situação de disfunção com suficiente rapidez e habilidade que lhe permita atravessar a tempestade e conservar a confiança popular, ela poderá perder a sua capacidade de manipulação e/ou a sua superioridade militar, ou a confiança em si mesma, ou sua coesão; pode ainda separar-se dos que dela não fazem parte, ou sucumbir a uma crise financeira; pode ser ainda, incompetente, fraca ou brutal. O que resulta ser fatal é a combinação destes erros com a intransigência, quando a elite não consegue antecipar a necessidade de reforma, bloqueando todo meio pacífico e constitucional de ajustamento social, fazendo os elementos que sofrem privação, unir-se numa única oposição contra ela.

A burguesia e as classes populares frente ao processo revolucionário

Costuma-se aceitar que na instauração da sociedade capitalista, a burguesia não se comportou e não lutou como uma classe revolucionária na derrubada da antiga ordem, e havendo sido derrubada a antiga ordem, o comportamento da burguesia teria sido mais reformista do que revolucionário, fazendo com que seja aceito que a instauração da sociedade capitalista e burguesa deva ser creditada mais aos efeitos de correntes de forças desencadeadas pela revolução industrial e à ação política revolucionária das classes populares, do que à burguesia. Assim, a construção da nova ordem teria sido resultado também da ação das classes populares urbanas e rurais, em suas lutas, tanto para defender suas antigas condições de vida, face às transformações em curso, quanto para reivindicar participação no novo sistema de poder.
Haveriam dois tipos de revoluções burguesas, sendo a primeira, de tipo passivo ou pelo alto, de caráter reacionário, pois a burguesia chega ao poder sem derrubar a classe e o Estado dominantes, mas fazendo um arranjo político com elas, a burguesia não assume a direção da sociedade, mas assegura a realização de suas exigências econômicas e as antigas instituições sofrem apenas uma modernização.
Neste sentido, a revolução francesa é considerada uma revolução burguesa ativa, a única verdadeiramente revolucionária, o que não se deu pelo fato da burguesia francesa ser diferente das demais, mas pela conjuntura social da revolução francesa, que permitiu a colocação progressiva na cena política das massas rurais e depois urbanas, no que se torna possível propor o esquema explicativo de uma revolução burguesa com sustentação popular, o que constituiria a originalidade do caminho revolucionário francês, num modelo em que se juntam as revoluções burguesa, urbana e camponesa.
Quanto a uma formulação de hipóteses sobre as etapas sociais de uma Revolução, um interessante estudo foi realizado por Crane Brinton que embora tivesse pensado em especial na Revolução Francesa, estendeu sua problematização para outras Revoluções ocorridas no Ocidente. Crane Brinton entendeu então a primeira fase da Revolução dominada por elementos burgueses e moderados, após o que ocorreria a sua substituição pelos radicais, ocorrendo então um reinado do terror; posteriormente haveria uma reação termidoriana para desembocar finalmente com o estabelecimento de uma forte autoridade central sob direção militar, para consolidar os limitados ganhos da Revolução.


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Lançamento do livro Culturas Políticas na História: Novos Estudos





Encontra-se disponível aos leitores uma nova contribuição para que pensemos a categoria Cultura Política. Culturas Políticas na História: Novos Estudos, obra que tive a honra e felicidade de contribuir com texto da minha lavra, foi lançada em Fortaleza e Belo Horizonte (veja as fotos do lançamento em BH). Com textos que possuem em comum o conceito de Cultura Política como ponto de partida analítico, é uma boa indicação para estudantes e profissionais de História,Sociologia, Jornalismo, entre outras.

domingo, 30 de agosto de 2009

Sites e Blogs de interesse para candidatos ao Instituto Rio Branco






Está claro que as escolhas são sempre pessoais, e sendo assim, subjetivas. Existem outros Sites e Blogs, tão bons ou melhores quanto os que indicarei, e o espaço para comentários, como sempre, ficará em aberto. Há alguns dias indiquei o CAOS, que deixa de constar nesta relação, por já ter sido indicado anteriormente.
1. http://institutoriobranco.wordpress.com/ .
Blog de Estudos para Admissão ao Instituto Rio Branco. A proposta desse Blog é apresentar Provas, exercícios, Bibliografia e divagações sobre o mundo da Diplomacia.

2. http://www.pralmeida.org/
Site do Diplomata Paulo Roberto de Almeida, que apresenta livros (ele é um prolífico escritor!), publicações e trabalhos originais deste bem humorado Doutor em Sociologia, que edita vários Blogs.

3. http://www.clubemundo.com.br
Site com artigos muito interessantes, agregando o Boletim Mundo e a Revista Pangea. Demétrio Magnoli comparece assiduamente nesse espaço virtual.

4. http://www.funag.gov.br
Site governamental do braço editorial do Ministério das Relações Exteriores. Imperdível! Livros para Download e inúmeras informações institucionais para aqueles que pretendem, algum dia, tornar-se riobranquinos.

sábado, 22 de agosto de 2009

A Economia Brasileira no Século XIX (7ª Parte)




A Economia Brasileira no Século XIX – Parte 7


(Continuação...)


Em termos gerais seria ainda possível acrescer, conforme anotou Celso Furtado que o “reduzido desenvolvimento mental da população submetida à escravidão provocará a segregação parcial desta após a abolição, retardando sua assimilação e entorpecendo o desenvolvimento econômico do país,Por toda a primeira metade do século XX, a grande massa dos descendentes da antiga população escrava continuará vivendo dentro do seu limitado sistema de necessidades, cabendo-lhe um papel puramente passivo nas transformações econômicas do país.”
Caberia então focalizar o efeito da extinção do trabalho servil nas economias do açúcar e do café. Começamos pela região açucareira. Nesta não foi difícil atrair e fixar parte substancial da antiga força de trabalho mediante um salário relativamente baixo.
No decênio que antecedeu a Abolição, beneficiara-se a indústria açucareira com vultosas inversões de capital estrangeiro, sob auspício do governo central, o que acabou por possibilitar importantes transformações técnicas. Em 1875 o Parlamento aprovara lei autorizando ao governo imperial dar garantia de juros a capitais estrangeiros empregados naquele setor da economia, até o montante de 3 milhões de libras. Entre 1875 e 1885 foram instaladas 50 usinas de açúcar com moderno equipamento financiado quase sempre por capitais ingleses.
Não obstante, à época da Abolição, as terras agricultáveis estavam praticamente ocupadas na totalidade, e nas regiões urbanas havia excedente populacional constituindo problema social desde o início do século. Para o interior, a economia de subsistência se expandira, com pressão demográfica sobre as terras semi-áridas do agreste e da caatinga.
Foram essas barreiras, a urbana e a do agreste que limitaram a mobilidade da massa de escravos recén liberada na região açucareira. E se as inovações técnicas reduziram a procura por mão-de-obra, a qual já abundava em conseqüência da pouca mobilidade oferecida pelas barreiras conhecidas, as dificuldades trazidas à exportação pelas modificações do comércio mundial do produto, causadas pela libertação política de Cuba - que passava a contar com inversões maciças de capital americano na sua indústria açucareira – proporcionaram o surto excepcional do açúcar cubano, movido pelo tratado de reciprocidade com os Estados Unidos, em detrimento dos interesses açucareiros nordestinos.
Na região do café se deu algo distinto, quanto às conseqüências da Abolição. Nas então províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais e em pequena escala, São Paulo havia se formado uma importante agricultura cafeeira à base de trabalho escravo. A queda da fertilidade das terras dessa primeira expansão do café, de regiões montanhosas e sujeitas à fácil erosão e a expansão proporcionada pela estrada de ferro colocaram essas antigas regiões produtoras em desvantagem em relação às novas regiões que confluíam para o Oeste paulista.
A grande corrente migratória européia e a falta de incentivos mais decisivos para que o antigo escravo fosse à busca de salários substancialmente mais altos, contribuíram para que estes se refugiassem na agricultura de subsistência, dada a relativa abundância de terras.
Aos antigos escravos libertos, a região cafeeira acabou rendendo salários, avaliados por Celso Furtado, como relativamente elevados, indicando uma redistribuição de renda em favor da mão-de-obra, ganho que pareceu ao autor como de efeitos antes negativos que propriamente positivos pela utilização dos fatores.
Com efeito, assim se expressou Celso Furtado, sobre alguns traços mais amplos da escravidão: “ O homem formado dentro desse sistema social está totalmente desaparelhado para responder aos estímulos econômicos. Quase não possuindo hábitos de vida familiar, a idéia de acumulação de riqueza é praticamente estranha. Demais, seu rudimentar desenvolvimento mental limita extremamente suas ‘necessidades’. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável, a elevação de seu salário acima de suas necessidades - que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio.”
A economia brasileira parece haver alcançado uma taxa relativamente alta de crescimento na segunda metade do século XIX. Nesse meio século a renda real teria, segundo os cálculos de Celso Furtado, se multiplicado por 5,4, representado, conforme anotou o autor, uma taxa de crescimento anual de 3,5 por cento e de crescimento per capita de 1,5 por cento. Taxa elevada quando se leva em conta a economia mundial do século XIX, pois os EUA acusavam 5,7 de crescimento da renda real, com um crescimento de população mais intenso no entanto, o que levava a uma taxa menor que a indicada para o Brasil.
Assim, considerando o caso do Brasil, onde o comércio exterior compunha a parte mais dinâmica do sistema, é no seu comportamento que o autor de Formação Econômica do Brasil procura a chave de crescimento dessa etapa. Dessa forma, para fins de análise, considerou-se a economia brasileira dividida em três setores principais:
1 – O do açúcar e do algodão associado a vasta zona de economia de subsistência;
2 - Aquele formado pela economia de subsistência do Sul do país; e,
3 - O que tinha como centro a economia cafeeira.

1. Açúcar, Algodão e economia de subsistência a estas ligada
Esse sistema estava formado pela faixa que se estende do Estado do Maranhão até Sergipe, excluída a Bahia por sua economia haver se modificado profundamente durante a 2ª metade do século XIX, pelo advento do cacau. A população que ocupava o território atualmente pertencente a oito estados brasileiros, a saber, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe ainda representava, de acordo com o censo de 1872, a terça parte da população do Império. Caso fosse acrescida a população baiana, o percentual atingiria quase a metade.
Entre os censos de 1872 e o de 1900, a população dessas antigas províncias (Império)/ Estados (República) citadas aumentou uma taxa anual de 1,2 por cento, taxa que aplicada ao meio século considerado acusa um incremento populacional de 80 por cento, bem superior ao da renda real gerada pelo setor exportador, que foi de 54 por cento.
As conclusões de Celso Furtado perante esses dados seriam no sentido de admitir que houve declínio na renda per capita desse sistema da economia brasileira, não sendo possível no entanto, quantificá-lo rigorosamente, pois temos que levar em conta que existiam dentro desse sistema, outros dois: o litorâneo (principalmente exportador) e o mediterrâneo (principalmente de subsistência).
Para que não tivesse havido redução na renda per capita da região, teria sido necessário que aumentasse substancialmente a produtividade no setor de subsistência, o que obviamente é uma hipótese inadmissível, pois durante essa época já se tornara notória a pressão demográfica sobre as terras agricultáveis da região.

2. A economia de subsistência do Sul do País
Esse setor da economia beneficiou-se indiretamente com a expansão das exportações. É preciso realçar o contraste entre a região de economia de subsistência do Sul do país e a região nordestina, que transparece claramente dos dados demográficos.A região das Colônias se beneficiou da expansão do mercado interno, seja diretamente, colocando alguns produtos como o vinho e a banha de porco, seja indiretamente, através da expansão urbana, possibilitada pelo aumento de produtividade no setor pecuário.
Encontrando mercado dentro do próprio país, capaz de absorver seus excedentes de produção, alguns setores da economia de subsistência puderam expandir a faixa monetária de suas atividades produtivas, como na região paranaense que conheceu a grande expansão de erva-mate. Neste caso, os colonos, em grande parte constituídos por população transplantada da Europa por planos nacionais e provinciais de imigração subsidiada, puderam dividir seu tempo entre a agricultura de subsistência e a extração de folhas de erva-mate, aumentando substancialmente sua renda.
Os colonos mais próximos do litoral se beneficiaram da expansão do mercado urbano, expansão que tinha seu impulso primário no desenvolvimento das exportações. No Rio Grande do Sul coube o impulso dinâmico de suas exportações para o mercado interno. Essas exportações, particularmente o charque, chegaram a constituir a metade das vendas totais do Estado para os mercados interno e externo ao fim do século passado.
Entre os censos de 1872 e 1900, as populações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso aumentam 127 por cento, equivalente a uma taxa anual de 3 por cento. Considerou Celso Furtado ser muito provável que tenha aumentado a produtividade econômica média, e por conseguinte, a renda per capita, admitindo-se ainda que esse aumento de renda per capita tenha sido de alguma magnitude.

3. O sistema constituído pela região produtora de café.
Essa região compreendia então os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, cujas populações consideradas em conjunto aumentaram a uma taxa de 2,2 por cento entre 1872 e 1900, superior à do Nordeste porém muito inferior à da Amazônia e a da região Sul.
O desenvolvimento da região cafeeira se realizou, nesse meio século, com transferência de mão-de-obra das regiões de mais baixa produtividade, e infere-se, do setor de subsistência dessa região para outras de mais alta produtividade, o que vale dizer, um processo inverso ao ocorrido no Nordeste na mesma época. A rápida expansão do mercado interno na região cafeeira teria de repercutir muito favoravelmente na produtividade do setor de subsistência, concentrado principalmente no Estado de Minas Gerais.
A transferência de mão-de-obra do setor de subsistência para o cafeeiro significava que a importância relativa deste estava aumentando, podendo-se, de acordo com Celso Furtado, admitir como provável que a renda per capita do conjunto da região não estaria crescendo com ritmo inferior ao do setor exportador, pois se a renda real gerada pelas exportações do café cresceram com a taxa anual de 4,5 por cento, dado o crescimento da população, a taxa de aumento anual da renda real per capita seria de 2,3 por cento.
Permaneciam fora dos três sistemas citados, a Bahia (13 % da pop. em 1872) e a Amazônia.(3% no mesmo censo). Na Bahia, a produção do cacau foi iniciada para fins de exportação na segunda metade do Dezenove, proporcionando uma alternativa para o uso dos recursos terra e mã-de-obra, de que não se beneficiaram as demais regiões nordestinas. Teve importância relativa pequena, apenas 1,5 do valor das exportações brasileiras nos anos 1890. Havia ainda como produto de importância, o fumo, antes destinado ao escambo de escravos, encontrara naquele meio século um mercado crescente na Europa.
Deduziu Celso Furtado, com base em algumas estatísticas, que a exportação per capita da região baiana não seria superior à nordestina, havendo indicações ainda que o desenvolvimento fora entorpecido pela ação profunda de fatores similares aos que atuaram no Nordeste como um todo. O que valeria dizer, que a melhora da situação de algumas regiões terá ocorrido simultaneamente com o empobrecimento de outras.
Quanto à região amazônica, cujas exportações alcançaram extraordinária importância relativa na etapa final do século, cumpre anotar que a participação da borracha no valor total das exportações elevou-se de 0,4 por cento nos anos 1840, para 15,0 nos anos 1890, decênio no qual o valor das exportações per capita duplicaram as da região cafeeira, se bem que tenhamos que levar em conta que grande parte dessa renda não revertesse à região, e parte substancial daquela que se revertia acabava liquidada em importações.
Finalizando, caberiam ainda algumas palavras sobre a economia brasileira no século XIX. Em uma economia do tipo brasileira, o coeficiente de importações era particularmente elevado, se observado apenas o setor monetário, ao qual se limitavam praticamente as transações externas. Os desequilíbrios na balança de pagamentos eram relativamente muito mais amplos, pois refletiam as bruscas quedas de preços das matérias-primas no mercado mundial. De acordo com Celso Furtado, devemos levar em conta as inter-relações entre o comércio exterior e as finanças públicas, pois o imposto às importações era a principal fonte de renda do governo central.
O que traz a lume algumas considerações. No momento em que se deflagrava uma crise nos centros industriais, os preços dos produtos primários caíam bruscamente, reduzindo-se de imediato a entrada de divisas no país de economia dependente.
Enquanto isso, o efeito dos aumentos anteriores do valor e do volume das exportações continuava a propagar-se lentamente. A forma como se financiavam as importações brasileiras contribuía para agravar a pressão sobre a balança de pagamentos por ocasião das depressões. As importações brasileiras procediam em grande parte da Inglaterra, ou se encontravam sob controle de casas comerciais inglesas, com grande liquidez nas praças brasileiras.
Essas casas inglesas emprestavam a médio prazo, aos comerciantes que exportavam para outros países. Assim, o comércio de importação é que financiava o de exportação. Ao ocorrer um colapso na procura de produtos brasileiros no exterior, acumulavam-se os fundos líquidos em mão dos importadores, fundos esses que advinham das vendas na etapa anterior de prosperidade. Esses fundos líquidos pressionavam sobre a balança de pagamentos, exatamente no momento em que se reduzia a oferta de divisas.
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Com esta postagem, entendemos por concluído o estudo do item 4.1 (Economia Brasileira), do Programa de Noções de Economia do CAD. Como assinalado no momento da postagem da primeira parte, as reflexões aqui colocadas não pretendem esgotar o tema,até por terem se limitado ao clássico escrito por Celso Furtado. Julgo que o estudo a ser realizado poderá comportar outras fontes, dentro se possível, da Bibliografia Sugerida nesse concurso. Portanto bom estudo a todos. Antonio Carlos